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Roteiro 8 · a pé

San Marco: Santo Stefano e La Fenice

Um percurso a pé com 65 paradas, de Praça de São Marcos a Bacino Orseolo.

As paradas

  1. Praça de São Marcos

    É o único espaço de Veneza chamado “Piazza” — todos os outros são campos — porque única queria ser também no nome.

  2. Procuratie di San Marco

    Em três lados da Praça de São Marcos corre o ritmo contínuo das Procuratie, as residências dos Procuradores de São Marcos — a mais alta magistratura da República depois do Doge, nove homens divididos em três ofícios: de supra, de citra e de ultra.

  3. Ponte dei Dai

    Ao lado do Caffè Quadri, abre-se um sotoportego (passagem coberta) escuro e estreito, com cerca de trinta metros.

  4. Calle dei Fabbri

    Uma calle (viela) do sestiere (bairro) de San Marco que liga a zona da Praça, através do Sotoportego dei Dai (passagem coberta), com o campo (praça) e a Ponte dei Dai, em direção a San Moisè.

  5. Campo San Gallo o Rusolo

    A dois minutos da Praça de São Marcos, atrás do Cavalletto, esta pracinha colecionou três nomes em oito séculos: Rusolo — corruptela de Orseolo, da hospedaria fundada pelo doge Pietro Orseolo I e transferida para cá no fim do século XVI para dar lugar às Procuratie Nuove — depois San Gallo, da igrejinha que restou sozinha da instituição, e por fim Canova, porque aqui o escultor morreu em 1822, numa casa que já não existe.

  6. L'Oratorio di San Gallo

    Num canto do Campo San Gallo, antigo campo Rusolo, entre os edifícios bancários do século XX sobrevive um dos menores edifícios sacros de Veneza.

  7. Teatro Goldoni

    Atrás do Campo San Luca (praça veneziana), a dois passos do Rialto, uma placa de mosaico anuncia o teatro mais antigo de Veneza — e o quarto mais antigo da Itália entre os ainda em cena: o Teatro Carlo Goldoni, inaugurado em 1622 como Teatro Vendramin di San Salvatore.

  8. Campo San Luca

    Se você perguntar a um veneziano onde fica o centro de Veneza, muitos vão responder: aqui.

  9. Calle Memmo o Loredan

    Esta calle (viela) liga a Salizzada San Luca (uma das primeiras ruas calçadas) à Riva del Carbon margeando o flanco de um palácio especial: aquele que desde 1867 é a Prefeitura de Veneza, a Ca’ Loredan, ligada à vizinha Ca’ Farsetti pelas passarelas cobertas que cruzam a rua por cima.

  10. Fondamenta del Carbon

    Entre Ca’ Farsetti e Palazzo Bembo, este trecho de cais no Canal Grande era o posto de abastecimento da Veneza pré-industrial: aqui atracavam as balsas carregadas de carvão, e era daqui que saía o combustível que mantinha acesos fornos, cozinhas e fundições.

  11. Palazzo Farsetti e Loredan (Município)

    Na Riva del Carbon — assim chamada pelos navios de carvão que aqui atracavam — dois palácios veneto-bizantinos do século XIII guardam há um século e meio o Município de Veneza.

  12. Portal do Palazzo Magno (San Luca)

    No Campiello di San Luca (pracinha veneziana), ao lado da igreja, sobrevive o portal do antigo Palazzo Magno: frontão triangular de terracota, pateras e um brasão do século XIII.

  13. A igreja de San Luca

    A meio caminho entre San Marco e Rialto, debruçada sobre o rio que lhe dá água e sobre o campiello que lhe dá ar, San Luca é uma das paróquias mais antigas de Veneza: quiseram-na no século XI as famílias Dandolo e Pizzamano, em formas veneto-bizantinas de três naves, num ponto estratégico do comércio da cidade.

  14. Palazzo Grimani di San Luca

    Às margens do Grande Canal, não muito longe de Rialto e na esquina com o rio di San Luca (canal veneziano), ergue-se a imponente massa do Palazzo Grimani, obra-prima renascentista do arquiteto veronês Michele Sanmicheli e hoje sede da Corte d’Appello de Veneza.

  15. Palazzo Contarini (gia' Corner)

    Às margens do rio (canal veneziano) de San Luca, pertinho de sua saída para o Grande Canal, fica um dos palácios mais elegantes e menos observados de San Marco: o Palazzo Contarini a San Beneto, que já pertenceu aos Corner.

  16. Calle Sant'Andrea

    A Calle Sant’Andrea, a poucos passos do Campo San Beneto (praça), deve seu nome a uma hospedaria que os monges de Sant’Andrea del Lido, ou della Certosa, possuíam aqui: um mosteiro antiquíssimo, fundado em 1199 numa ilhota perto do porto do Lido e passado em 1424 dos Agostinianos aos Cartuxos.

  17. Salizzada del Teatro

    Dois nomes para uma só rua: os venezianos a chamam salizzada della Chiesa ou del Teatro, e nunca se enganam.

  18. Igreja de San Benedetto

    No silencioso Campo San Beneto (o campo é a praça veneziana), a dois passos do Museu Fortuny, abre-se uma das igrejas mais antigas de San Marco.

  19. Palazzo Pesaro degli Orfei (Palazzo Fortuny)

    Sobre o Campo San Beneto (campo: praça em veneziano) domina uma das maiores construções góticas de Veneza — o Sansovino a julgava “digna da situação do Grande Canal” — e uma das mais harmoniosas não voltadas para o canal: o Palazzo Pesaro, encomendado por Benedetto Pesaro em meados do século XV e dito “degli Orfei” pela Academia Filarmônica que ali teve sede no século XVIII.

  20. Ponte Michiel

    A Ponte Michiel, de pedra e com grades de ferro trabalhado, cruza o rio de Ca’ Michiel (canal veneziano) e liga a Calle Pesaro ao Ramo Michiel (ruela), no coração de San Marco.

  21. Corte dell'Albero

    A dois passos do atracadouro de Sant’Angelo, a Corte dell’Albero é um campiello tranquilo e irregular, fechado de um lado por um gigante gentil: a Casa Nardi, um enorme edifício do século XX construído em estilo neovêneto-bizantino, com patere e placas decorativas incrustadas nos tijolos — um dos edifícios mais recentes da cidade, enquanto a vizinha Fondamenta Narisi conserva a ortografia antiga do nome.

  22. Palazzo Sandi-Porto

    Na Corte dell’Albero (pátio), a poucos passos de San Samuele e do Campiello del Teatro, há uma fachada tão sóbria que quase passa despercebida.

  23. Fondamenta Narisi

    A Fondamenta Narisi (cais) é uma margem tranquila do sestiere (bairro) de San Marco, na paróquia de Sant’Angelo.

  24. Ponte e Calle del Pestrin

    Uma ponte de ferro liga a Calle del Pestrin à Corte Lucatello, no ponto em que o rio de Sant’Anzolo encontra o rio de Ca’ Garzoni, atrás de Santo Stefano e San Samuele.

  25. Campiello Novo

    Oito degraus atrás da abside de Santo Stefano, e sobe-se a outro mundo: o Campiello Novo (pracinha) é um pequeno largo elevado e recolhido, afastado da praça da qual dista poucos metros.

  26. Piscina San Samuele

    Entre Campo Sant’Angelo e a Salizada di San Samuele (uma das primeiras ruas calçadas) abre-se uma pracinha pavimentada com um nome curioso: Piscina San Samuele.

  27. Salizzada di San Samuele

    “Salizada”, em Veneza, é um título de mérito: significava rua calçada, uma das primeiras, quando as outras calli (as vielas) ainda eram terra batida.

  28. A Casa de Paolo Veronese

    Na Salizzada di San Samuele, no número 3338, um palacete com uma epígrafe comemorativa lembra a casa veneziana de Paolo Veronese.

  29. Calle delle Carrozze

    Calle (viela) do sestiere (bairro) de San Marco que desemboca no campo (praça) de San Samuele, sobre o Grande Canal.

  30. Palácio Grassi

    Entre o Campo San Samuele e o Grande Canal se impõe o último grande palácio patrício construído antes da queda da Sereníssima: o Palácio Grassi, a poderosa mole neoclássica que a riquíssima família bolonhesa dos Grassi — passada por Chioggia, onde vivia desde 1230, e inscrita no patriziado em 1718 doando sessenta mil ducados para a guerra da Moreia — mandou erguer por Giorgio Massari em meados do século XVIII: um monumento à riqueza veneziana no próprio ocaso da República, construído entre 1748 e 1772 no último grande lote livre restante na via aquática.

  31. Igreja de San Samuele

    No campo (praça) que desce para o Grande Canal, ao lado do Palazzo Grassi, esta é uma das igrejas mais antigas de Veneza: quiseram-na as famílias Boldù e Soranzo por volta do ano 1000, dedicando-a inicialmente a São Mateus.

  32. Palazzo Malipiero

    Chamavam-no “a Casa Grande de San Samuel” por suas dimensões incomuns.

  33. La Ca' del Duca

    No Grande Canal, ao lado do rio del Duca (canal veneziano), a base de um palácio nunca terminado conta o sonho mais ambicioso do século XV veneziano.

  34. Il Teatro di San Samuele

    Entre o Campo San Samuele e o Campo Santo Stefano, os nomes das calli (as ruelas venezianas) contam um teatro que não existe mais: Calle del Teatro, Ramo del Teatro, Fondamenta delle Scuole.

  35. Ponte Vitturi

    Uma ponte de ferro e pedra sobre o rio di San Vidal (canal veneziano), entre a Calle del Fruttariol (rua veneziana) e o Campiello Loredan (pracinha), num canto de San Marco onde o barulho de Rialto e da Accademia chega abafado.

  36. A igreja de San Vitale

    Passada a Ponte Vitturi, onde nasceu em 1481 Girolamo Miani — o soldado que libertou milhares de órfãos fundando os Somaschi — abre-se o animado Campo San Vitale, dominado pela fachada neopaladiana de Andrea Tirali.

  37. Palácio Cavalli-Franchetti

    Aos pés da Ponte dell’Accademia, do lado de San Marco, o Palácio Cavalli-Franchetti exibe uma das fachadas góticas mais chamativas do Grande Canal — mas é uma Idade Média em grande parte reinventada.

  38. Campo Santo Stefano e o Monumento a Tommaseo

    O Campo Santo Stefano, que nas placas se chama Campo Francesco Morosini, é um dos maiores campos (praças) de Veneza: uma longa praça em forma de L que do flanco gótico da igreja de Santo Stefano corre até San Vidal e à Ponte da Academia.

  39. O Conservatório Benedetto Marcello (Palazzo Pisani)

    No pitoresco Campiello Pisani (pracinha veneziana), a poucos passos do Campo Santo Stefano, ergue-se a fachada colossal do Palazzo Pisani, o maior palácio patrício de Veneza.

  40. Palazzo Loredan (Istituto Veneto)

    No extremo sul do Campo Santo Stefano (praça), o Palazzo Loredan abriga, desde 1891, o Istituto Veneto di Scienze, Lettere ed Arti.

  41. Palazzo Morosini

    Sobre o Campo Santo Stefano (praça), uma das salas de estar mais amplas de Veneza, debruça-se um palácio que é quase um monumento à família que o habitou por dois séculos e meio: o Palazzo Morosini, hoje também chamado Morosini Gatterburg.

  42. Palazzo Barbaro a Santo Stefano

    No lado norte do Campo Santo Stefano, o campo (praça), no número 2947 e encostado ao Palazzo Loredan — sede do Instituto Veneto —, fica o Palazzo Barbaro, do século XVI. Sua fachada voltada para a praça é renascentista e de linhas sóbrias: dois portais, seis janelas por andar e frisos horizontais.

  43. A Igreja de Santo Stefano e o seu Claustro

    No alto do grande campo (praça) arborizado de Santo Stefano se ergue uma das três igrejas conventuais de Veneza, com os Frari e a Santi Giovanni e Paolo: fundaram-na os Eremitas de Santo Agostinho, que em 1274 venderam seu primeiro convento de Sant’Anna, em Castello, às beneditinas e compraram casas aqui no centro da cidade — a primeira pedra foi abençoada em 7 de junho de 1294 pelo bispo de Castello Querini —, reconstruíram-na no século XIV e no século XV a revestiram do gótico flamejante que ainda hoje lhe dá o rosto, inclusive o campanário visivelmente inclinado.

  44. A Antiga Scuola di Santo Stefano (dei Laneri)

    Em frente ao portal lateral da igreja de Santo Stefano, no número 3467 do campo (a praça), desponta a sóbria fachada sobrevivente de uma das confrarias mais antigas de Veneza: a Scuola di Santo Stefano, fundada em 1299.

  45. Chiostro dell'ex Convento di Santo Stefano

    Um pátio de colunas jônicas, uma vera da pozzo (bocal de poço) no centro e, pendurados nas paredes, os sarcófagos de um doge e de um tirano derrotado: este é o coração do antigo convento agostiniano, construído pelos frades eremitas ao lado da igreja de Santo Stefano a partir do século XIII.

  46. Ponte dei Frati

    A Ponte dei Frati atravessa o rio (canal veneziano) di Sant’Anzolo, entre Campo Sant’Angelo e o portão do antigo convento de Santo Stefano, em San Marco.

  47. O Campo Sant'Angelo e seus palácios monumentais

    Pare em Campo Sant’Angelo, ou Sant’Anzolo como dizem os venezianos.

  48. Calle Caotorta

    Poucas calli (ruas) de Veneza têm um nome tão antigo.

  49. Ponte dei Calegheri
  50. Fondamenta, Ponte e Sottoportico San Cristoforo

    Atrás do Teatro La Fenice, o rio della Verona (canal veneziano) faz uma curva estreita entre as paredes.

  51. Calle della Fenice

    A Calle de la Fenice (viela) corre por trás do Grande Teatro, entre o sottoportico (passagem coberta) della Malvasia Vecchia em San Fantin e a ponte di San Cristoforo, à beira do rio delle Veste (canal veneziano).

  52. Campiello Mario Marinoni

    Atrás do flanco norte do Teatro La Fenice se abre um quadradinho de pedra entre o Campo San Fantin e o rio della Verona (canal veneziano) que durante séculos foi só o campiello (pracinha) do teatro: o nizioleto (a placa de rua veneziana) ainda o chama de «Campiello Marinoni o de la Fenice», e o nome velho ficou grudado.

  53. Campo San Fantin

    A meio caminho entre San Marco, Rialto e a Academia, o Campo San Fantin (praça) é o coração teatral de Veneza: aqui a igreja do Renascimento tardio — que durante séculos também se chamou Santa Maria delle Grazie — fica de frente para a colunata do Teatro La Fenice, e essa vizinhança não é por acaso: durante séculos saía-se deste campo de máscara rumo ao teatro e voltava-se de madrugada.

  54. Chiesa di San Fantino

    O Campo San Fantin é um dos lugares mais carregados de história da cidade.

  55. Teatro La Fenice

    No Campo San Fantin, sóbria entre as casas, abre-se a fachada neoclássica do teatro de ópera mais famoso de Veneza: a Fenice, nascida em 1792 do projeto de Giannantonio Selva para uma sociedade de proprietários de camarotes que tinha perdido o seu teatro — e que escolheu o nome da ave que renasce das próprias cinzas.

  56. O Ateneo Veneto

    O Campo San Fantin (praça veneziana) abriga uma fachada que parece uma igreja, mas durante séculos foi a sede de uma das confrarias mais singulares de Veneza.

  57. Calle e Ponte della Verona

    A poucos passos do Teatro La Fenice, uma ponte de pedra atravessa o rio Menuo (canal veneziano), também chamado rio de la Verona: é a Ponte de la Verona, e junto com a calle (viela) deve seu nome a uma estalagem que aqui teve sua época de glória.

  58. Palazzo Mora al Ponte della Verona

    No fundo do rio Menuo (canal veneziano) — que aqui todos chamam de la Verona — onde a via de água encontra o rio di San Luca, um canto silencioso do sestiere (bairro) de San Marco guarda uma das fachadas góticas mais intactas do século XV veneziano: é o Palazzo Mora, depois dos Marcello.

  59. Calle degli Assassini

    Entre Campo Manin e Campo San Fantin se enfia uma calle (viela) estreita e cheia de curvas: a Calle dei Assassini.

  60. Calle della Mandola

    Calle (viela) muito frequentada do sestiere (bairro: Veneza tem seis) de San Marco, na paróquia de San Benedetto, que liga o campo Sant’Angelo (praça) com o campo Manin — e a sua largura, insólita para um beco veneziano, é recente: uma parte da rua foi bem alargada no século XIX. Antes de ser “della Mandola” a calle era “del Pistor”, pelo padeiro que ali tinha loja.

  61. Ponte della Cortesia

    A Ponte della Cortesia atravessa o rio de San Luca (canal veneziano), ligando a Calle de la Cortesia (rua veneziana) ao Campo Manin (praça), que naquela época se chamava Campo San Paterniano, por causa da igreja paroquial demolida mais tarde.

  62. O Campo Manin e o Monumento a Daniele Manin

    Por estar em Veneza, este campo (praça) tem um ar quase moderno demais — e de fato é recente.

  63. Calle della Vida

    A Calle de la Vida (viela), ou de le Locande, corre no coração de San Marco entre o Campo Manin (praça) e o rio di San Luca (canal veneziano), ao lado do Palazzo Contarini dal Bovolo.

  64. A Scala Contarini del Bovolo

    Num pátio escondido atrás do campo Manin (praça) sobe a escada externa mais famosa de Veneza: uma torre cilíndrica de vinte e seis metros de altura, envolta por um caracol de oitenta degraus — “bovolo”, em veneziano, é o caracol.

  65. Bacino Orseolo

    Parece um pequeno porto escondido atrás das Procuratie Vecchie e, de fato, é exatamente isso: o Bacino Orseolo é o stazio (ponto regulamentado de parada e partida) das gôndolas mais próximo da Praça de São Marcos.

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